Reprodução gráfica da tela referente à essa
crônica
Dia desses acordei sentindo que estava necessitando realizar
alguma coisa, mas meus sentidos não revelavam o que queriam. O jeito seria
executar coisas que andei adiando talvez na tentativa de esquecer, ou na
esperança de que se resolvessem por si mesmos.
Resolvi enfrentar, mas somente uma das “coisas” pendentes. A
pior delas. Pensei que meu anseio ficaria satisfeito, e na verdade até senti
alívio, mas pelo modo como ele continuou presente em meu pensamento, conclui
que era necessária uma busca interior para satisfazê-lo.
Lembrei da senhorinha idosa, carente de atenção, que mora bem
perto, vizinha mesmo. Talvez devesse visitá-la, como havia prometido. Foi o que
fiz, e até sai de sua casa sentindo certo bem estar pela minha solidariedade.
Por que sempre me parece que ajudar de alguma forma a alguém
nada mais é do que acalmar nossa consciência? Será egoísmo?
E a necessidade de fazer algo continuou...
Resolvi relacionar o que sei fazer: Ensinar matemática, mas já
estou às voltas com aulas de trigonometria, logo conclui não ser isso. Adoro
cozinhar, mas o final de semana foi mais que engordativo, ganhei um quilo e
meio, portanto nada de cozinha. Talvez mexer na terra, cuidar das plantas dos
meus canteiros sim, isso é prazeroso, até peguei meus apetrechos de jardinagem,
mas percebi que estava completamente desmotivada.
Sei que gosto mesmo é de criar, de fazer coisas surgirem através
das minhas mãos, e que retirem com suas formas, ou cores, ou mensagens, algum
dos arquivos ocultos do meu inconsciente, fazendo-os aflorarem e tornarem-se
instalados no consciente.
Lembrei-me de minhas tintas, pincéis e telas há muito tempo
esquecidas, abandonadas. Senti a aprovação dos meus sentidos, pensei num tema e
decidi por uma natureza morta, frutas, mas sem imitar a natureza, que sei bem
que Aquele que a criou é inimitável. Peguei uma maçã, cortei-a ao meio,
posicionei-a ao lado do cavalete com a tela...
Mergulhei no meu consciente e devo ter ultrapassado seus
limites, pois agora olho pra tela e cobro do meu inconsciente e também do
consciente, o que essa tela que criei quer me dizer... Porque, com certeza, não
é a representação gráfica de uma maçã, é uma imagem instigante a todos que a
observam, principalmente eu!
O anseio de criar algo se foi, mas o conheço bem, sei que
voltará...

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